3 de abr. de 2010

ÉTICA E LEGISLAÇÃO


Cotas de racismo.

por Tatiana Perocco Borges.
Há muito a sociedade racista e preconceituosa vem sendo desafiada pelos negros e por toda história de luta que os acompanha. Há anos luta-se contra os "rastros" da escravidão como o racismo e o desmerecimento injusto das pessoas negras.
Para todo aquele provido de sentimento, razão, respeito e fé é certo que perante a Deus todos são iguais, condição esta que deveria se estender ao mundo dos homens chamados de "racionais".
Mas por maior que seja a luta de igualdade, o próprio governo brasileiro (e nesta questão os afro-descendentes não se manifestam) incentiva a discriminação pessoal mesmo que considerando-a uma ajuda e solução para dar igual nível de oportunidades a negros e brancos.Trata-se do sistema de cotas instalado no processo de seleção e inscrição universitária.
A lei das cotas concede uma porcentagem das vagas oferecidas pelas faculdades aos candidatos negros.
Podemos analisar nesta medida uma contradição da teoria dos direitos iguais, pois uma vez que luta-se pela igualdade entre todas as raças, etnias, religiões dentre outros aspectos, considera-se então que todos possuem a mesma capacidade, inclusive para estudar, se esforçar e concorrer às vagas das universidades de igual para igual.
Encontra-se nessa discussão uma questão anti-ética que vai contra todos os princípios de igualdade pelos quais negros há tempos vêm lutando e até mesmo morrendo.
O fato mais contraditório em tudo isso é que quando a discriminação (e podemos contatá-la neste caso) beneficia o discriminado, este não se importa.
A capacidade de um estudante de entrar numa universidade não correlaciona-se com uma raça, e sim com as classes sociais do Brasil.
As classes sociais média e alta, têm condições de proporcionar aos jovens um estudo melhor e mais dedicado, garantindo-lhes assim maior chance de classificação em vestibulares. Já as classes menos favorecidas não proporcionam formação básica suficiente para seus estudantes se classificarem em cursos do ensino superior.
Com esta visão, conclui-se que não deveria existir cotas, mas que se estas persistirem deveriam ser reavaliadas e destinadas à classe baixa em geral, e não aos negros. Afinal também existem muitos jovens brancos que enfrentam muitas dificuldades para estudar tanto quanto os negros que disputam estas vagas preferenciais.
Apesar de esta ser uma discussão de várias opiniões e pontos de vistas, deixo aqui meu protesto, acreditando que estudar para ser alguém na vida depende apenas da força de vontade de cada um.


Tatiana Perocco Borges, 20 anos, Aux. de Design Fotográfico, estudante do Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico, na Universidade Paulista- Campus Jundiaí.Este artigo foi escrito para a disciplina Ética e Legislação na Comunicação, lecionada pelo prof. Arnaldo Silva.